Bela reflexão sobre essa obra grandiosa, uma das mais vendidas depois da Bíblia.
Por Pe.Paulo Ricardo
"pois morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. " Colossenses 3, 3 Nosso blog, fundado nesta palavra do Apóstolo São Paulo, quer ser voz de Deus em sua vida. Para aqueles que buscam viver uma vida espiritual mais intensa: eremitas, monges, religiosos, padres, leigos, casais, jovens...qualquer um que esteja disposto a ouvir a voz de Deus, através da Bíblia, dos Pais da Igreja, dos Papas, dos santos, dos grandes espiritualistas católicos. Uma vida escondida em Cristo Jesus.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Bem Aventurado Tiago Alberione: meu pai espiritual
Padre Tiago Alberione (1884-1971) Padre Tiago Alberione, Fundador da Família Paulina, foi um dos mais carismáticos apóstolos do século XX. Nascido em San Lorenzo di Fossano (Cuneo), no dia 4 de abril de 1884, recebeu o batismo já no dia seguinte. A família Alberione, constituída por Miguel e Teresa Allocco e por seis filhos, era do meio rural, profundamente cristã e trabalhadora. O pequeno Tiago, o quarto filho, desde cedo passa pela experiência do chamado de Deus: na primeira série do ensino primário, perguntado pela professora o que faria quando se tornasse adulto, ele responde: Vou tornar-me padre! Os anos da infância se encaminham nessa direção. A família, transferindo-se para a comuna de Cherasco, paróquia de São Martin, diocese de Alba, encontra o pároco, Padre Montersino, que ajuda o adolescente a tomar consciência e dar resposta ao chamado. Com 16 anos, Tiago é recebido no Seminário de Alba. Desde logo se encontra com aquele que para ele será pai, guia, amigo e conselheiro por 46 anos: o cônego Francisco Chiesa. No final do Ano Santo de 1900, já estimulado pela encíclica de Leão XIII Tametsi futura(Ainda que se trate de coisas futuras), Tiago vive a experiência decisiva de sua existência. Na noite de 31 de dezembro de 1900, noite que divide os dois séculos, põe-se a rezar por quatro horas diante do Santíssimo Sacramento e, na luz de Deus, projeta o seu futuro. Uma “luz especial” veio ao seu encontro, desprendendo-se da Hóstia e a partir daquele momento ele se sente “profundamente comprometido a fazer alguma coisa para o Senhor e para as pessoas do novo século”: “o compromisso de servir à Igreja”, valendo-se dos novos meios colocados à disposição pelo engenho humano. A trajetória do jovem Alberione assim prossegue abalizadamente ao longo dos anos de estudo da filosofia e da teologia. No dia 29 de junho de 1907 foi ordenado sacerdote. Como passo seguinte, uma breve, mas significativa experiência pastoral em Narzole (Cuneo), na qualidade de vice-pároco. Lá encontra o bem jovem José Giaccardo, que para ele será o que foi Timóteo para o Apóstolo Paulo. Ainda em Narzole, Padre Alberione amadurece sua reflexão sobre o que pode fazer a mulher engajada no apostolado. No Seminário de Alba desempenha o papel de Diretor Espiritual dos seminaristas maiores (filósofos e teólogos) e menores (estudantes do ensino médio), e de professor de diversas disciplinas. Dispõe-se a pregar, a catequizar, a dar conferências nas paróquias da diocese. Dedica também bastante tempo ao estudo da realidade da sociedade civil e eclesial do seu tempo e às novas necessidades que se projetam. Conclui que o Senhor o convoca para uma nova missão: pregar o Evangelho a todos os povos, segundo o espírito do Apóstolo Paulo, usando os modernos meios da comunicação. Justificam essa direção os seus dois livros: Apontamentos de teologia pastoral (1912) e A mulher associada ao zelo sacerdotal (1911-1915). Essa missão, para ser desenvolvida com carisma e continuidade, deve ser assumida por pessoas consagradas, considerando-se que “as obras de Deus se edificam mediante as pessoas que são de Deus”. Desse modo, no dia 20 de agosto de 1914, enquanto em Roma morria o sumo pontífice, Pio X, em Alba, o Padre Alberione dava início à “Família Paulina” com a fundação da Pia Sociedade São Paulo. O começo é marcado pela extrema pobreza, em conformidade com a pedagogia divina: “inicia-se sempre no presépio”. A família humana — na qual o Padre Alberione se inspira — é constituída por irmãos e irmãs. A primeira mulher a seguir o Padre Alberione é uma moça de vinte anos, de Castagnito (Cuneo): Teresa Merlo. Com o apoio dela, Alberione dá início à congregação das Filhas de São Paulo (1915). Pouco a pouco, a “Família” cresce, as vocações masculinas e femininas aumentam, o apostolado toma seu curso e assume sua forma. Em 1918 (dezembro) registra-se o primeiro envio das “filhas” para Susa: inicia-se uma história muito corajosa de fé e de empreendimento, que gera também um estilo característico, denominado (estilo) “paulino”. Essa trajetória parece passar por uma solução de continuidade em 1923, quando o Padre Alberione adoece gravemente e o diagnóstico médico não sugere um quadro de esperanças. Mas o Fundador, milagrosamente, retoma o caminho: “Foi São Paulo quem me curou”, dirá em seguida. A partir daquele período aparece nas capelas paulinas a inscrição que em sonho ou em revelação o Divino Mestre dirige ao Fundador: Não temam — Eu estou com vocês - Daqui quero iluminar — Arrependam-se dos pecados. No ano seguinte vem à luz a segunda congregação feminina: as Pias Discípulas do Divino Mestre, para o apostolado eucarístico, sacerdotal e litúrgico. Para orientá-las na nova vocação, Padre Alberione chama a jovem Irmã M. Escolástica Rivata, que morrerá nonagenária, em odor de santidade. No âmbito apostólico, o Padre Alberione promove a imprensa com edições populares dos Livros Sagrados e aponta para as formas mais rápidas de fazer chegar a mensagem de Cristo aos que estão distantes: os periódicos. Em 1912 já havia sido lançada a revista Vita pastoraleendereçada aos párocos; em 1931 surge a Família Cristã, revista semanal com a finalidade de dar alimento para a vida cristã das famílias. Seguirão ainda: La Madre di Dio (1933), “para desvendar as belezas e as grandezas de Maria”; Pastor Bonus (1937), revista mensal em língua latina; Via, Verità e Vita (1952); revista mensal para o conhecimento e o ensino da doutrina cristã; La Vita in Cristo e nella Chiesa (1952), com o objetivo de fazer “conhecer os tesouros da liturgia, difundir tudo aquilo que for relativo à liturgia, viver a liturgia segundo a Igreja”. O Padre Alberione também pensa nos rapazes. Para eles publica Il Giornalino. Põe também mãos à obra para a construção do templo de São Paulo em Alba. Virão depois os dois templos a Jesus Mestre (em Alba e em Roma) e o santuário à Rainha dos Apóstolos (Roma). O intuito é o de sair dos limites locais e das fronteiras nacionais. Em 1926 abre-se a primeira Casa filial em Roma, seguida nos anos posteriores por muitas fundações na Itália e em outros países. Ao mesmo tempo cresce o edifício espiritual: o Fundador inculca o espírito de dedicação mediante “devoções” de grande peso apostólico: a Jesus Mestre e Pastor “Caminho, Verdade e Vida”; a Maria Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos; a São Paulo apóstolo. É exatamente a referência ao Apóstolo que caracteriza na Igreja as novas instituições como “Família Paulina”. A meta que o Fundador quer que seja assumida como desafio primordial, é a conformidade plena com Cristo: abraçar por inteiro o Cristo Caminho, Verdade e Vida em toda a pessoa, mente, vontade, coração e forças físicas. Diretriz sintetizada em um pequeno volume: Donec formetur Christus in vobis (1932). Em outubro de 1938, Padre Alberione funda a terceira congregação feminina: as Irmãs de Jesus Bom Pastor ou “Pastorinhas”, que se dedicam ao apostolado pastoral destinado a auxiliar os Pastores. Durante a paralisação forçada pela Segunda Guerra Mundial (1940-1945), o Fundador não se detém na sua jornada espiritual. Vai dando acolhida cada vez mais efetiva à luz de Deus em um clima de adoração e contemplação. São testemunhas disso os Taccuini (Os caderninhos de apontamentos) espirituais, nos quais o Padre Alberione anota as inspirações, os meios a adotar para dar uma resposta ao plano de Deus. E é nesse clima espiritual que começam as meditações que ele a cada dia faz para os filhos e filhas, as diretrizes para o apostolado, a pregação de numerosos retiros espirituais (sintetizados em outros tantos pequenos volumes). O desvelo do Fundador é sempre o mesmo: quer que todos entendam que “o primeiro cuidado da Família Paulina deve ser a santidade de vida, o segundo a pureza de doutrina”. Sob essa luz deve ser entendido o seu projeto de uma enciclopédia sobre Jesus Mestre (1959). Em 1954, recordando o 40 ano de fundação, o padre Alberione consentiu pela primeira vez que se escrevesse a respeito dele no volume Mi protendo in avanti (Lanço-me para frente) e cedeu à solicitação de publicar alguns dos seus apontamentos sobre as origens da fundação. Surgiu, então, o pequeno volume Abundantes divitiae gratiae suae (As abundantes riquezas da sua graça), que é considerado como a “história carismática da Família Paulina”. Família que foi se completando entre 1957 e 1960, com a fundação da quarta congregação feminina, o Instituto Rainha dos Apóstolos para as Vocações (Irmãs Apostolinas) e dos Institutos de vida secular consagrada: São Gabriel Arcanjo, Nossa Senhora da Anunciação, Jesus Sacerdote e Sagrada Família. Dez Instituições (inclusive os Cooperadores Paulinos) unidas entre si pelo mesmo ideal de santidade e de apostolado: o anúncio de Cristo Caminho, Verdade e Vida ao mundo, mediante os instrumentos da comunicação social. Nos anos de 1962-1965, o Padre Alberione é protagonista silencioso, mas atento do Concílio Vaticano II, cujas sessões ele participa diariamente. Nesse meio tempo não faltam tribulações nem sofrimentos: a morte prematura dos seus primeiros colaboradores, Timóteo Giaccardo e Tecla Merlo; a preocupação constante com as comunidades do exterior em dificuldade e, pessoalmente, uma crucificante escoliose, que o incomoda dia e noite. Padre Alberione viveu 87 anos. Executou a obra que Deus lhe confiou. No dia 26 de novembro de 1971 deixou a terra para assumir o seu lugar na Casa do Pai. As suas últimas horas tiveram o conforto da visita e da bênção do papa Paulo VI, que jamais ocultou a sua admiração e veneração pelo Padre Alberione. É sempre comovente o testemunho que deu na Audiência concedida à Família Paulina em 28 de junho de 1969 (o Fundador tinha 85 anos): «Aí está ele: humilde, silencioso, incansável, sempre vigilante, sempre entretido com os seus pensamentos, que se mobilizam entre a oração e a ação, sempre atento para perscrutar os “sinais dos tempos”, isto é, as mais geniais formas de alcançar as pessoas. O nosso Padre Alberione deu à Igreja novos instrumentos para manifestar-se, novos meios para dar vigor e amplitude ao seu apostolado, nova capacidade e nova consciência da validade e da possibilidade da sua missão no mundo moderno e com os meios modernos. Permita, caro padre Alberione, que o papa goze desse longo, fiel e incansável combate e dos frutos por ele produzidos para a glória de Deus e para o bem da Igreja». Em 25 de junho de 1996 o papa João Paulo II assinou o Decreto por meio do qual eram reconhecidas as virtudes heróicas do futuro Bem-aventurado. |
domingo, 4 de dezembro de 2016
«Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas»
Comentário das Leituras do II Domingo do Advento
È evidente para todo o leitor que João não pregou apenas, mas também conferiu um batismo de penitência. Não pôde, no entanto, dar um batismo que remisse os pecados, pois a remissão dos pecados só nos é dada no batismo em Cristo. Por isso o evangelista diz que ele «pregava um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados» (Lc 3,3); não podendo ele próprio dar um batismo que perdoasse os pecados, anunciava esse, ainda por vir. Tal como as suas palavras de pregação eram precursoras da Palavra do Pai feita carne, assim o seu batismo […] precedia o do Senhor, como sombra da verdade (Col 2,17).
Este mesmo João, interrogado sobre quem era, respondeu: «Eu sou a voz daquele que grita no deserto» (Jo 1,23; Is 40,3). O profeta Isaías chamara-lhe «voz», pois ele precedia a Palavra. Aquilo que gritava é-nos ensinado a seguir: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». O que faz aquele que prega a fé verdadeira e as boas obras, senão preparar a estrada nos corações dos ouvintes para o Senhor que vem? Possa a graça toda-poderosa penetrar nestes corações, iluminá-los com a luz da verdade […].
Acrescenta S. Lucas: «Todos os vales sejam levantados, todas as montanhas e colinas sejam abaixadas». Que designam aqui estes vales, senão os humildes, e os montes e as colinas, senão os orgulhosos? Com a vinda do Redentor, segundo a sua própria palavra, «quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (Lc 14,11). Pela fé no mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo feito homem (1Tim 2,5), aqueles que nele creem receberam a plenitude da graça, enquanto os que se recusam a crer foram humilhados no seu orgulho. Todos os vales serão levantados porque os corações humildes, ao acolherem a palavra da santa doutrina, serão cumulados pela graça das virtudes, segundo o que está escrito: «Das fontes fez jorrar rios, que serpenteiam nos vales» (Sl 104,10).
São Gregório Magno (c. 540-604)
Papa, Doutor da Igreja
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
As monjas cartuxas
As monjas cartuxas
Sumário
Quando São Bruno se adentrou nos bosques de Chartreuse (França) no longínquo junho de 1084, não suspeitava que seria Pai de uma numerosa família de monges e inclusive de monjas. Ele e seus seis colegas, não pretendiam mais do que encontrar "um lugar a propósito para a vida eremítica onde entregar-se à contemplação do Único Bem".
Só depois da morte de Bruno (1101) começou a expansão da forma de vida que ele iniciou. Expansão que, ao princípio, revestiu características próprias. Os primeiros mosteiros de monges cartuxos se constituíram a partir de grupos monásticos já existentes que adotaram os "Costumes" ou Regra em vigor em Chartreuse. Mais tarde esses grupos se uniram e formaram juridicamente nossa Ordem (1140).
Analogamente foi, em certo sentido, a origem do ramo feminino da Cartuxa. As monjas de Prébayon (em Provenza, França), obtiveram graças ao Beato Juan de Espanha, cartuxo de Montrieux, uma cópia das "Costumes" da Cartuxa e as adotaram como Regra (em 1145). Nessa época o conceito de "Regra" era muito amplo... Ao escolher uma, podia-se adaptá-la às necessidades do próprio mosteiro, e isso é o que fizeram as monjas de Prébayon: tomaram os "Costumes cartusianas" conservando ao mesmo tempo certos usos peculiares, coisa perfeitamente legítima, já que nenhum vínculo jurídico as unia à Ordem Cartuxa. Sua filiação jurídica se realizou entre os anos 1150-1155.
Essa filiação, ao princípio, foi principalmente de ordem espiritual. O mosteiro de Prébayon, situado num lugar muito solitário, encontrou na espiritualidade cartusiana o ideal que respondia à sua estrita separação do mundo. Mas a nível de observância prática, as monjas continuaram concedendo à vida comunitária um lugar mais amplo do que o previsto nos "Costumes" para os monges.
Ao multiplicar-se os mosteiros de monjas cartuxas, a Ordem foi concedendo-lhes acesso às diversas observâncias cartusianas. Nunca, no entanto, apressou-se por estabelecer a observância fim da vocação cartusiana: a solidão estrita e pessoal. Cria-se então que o temperamento feminino não era apto para assumir dita solidão na mesma proporção que os monges, e se aceitava essa crença sem discussão.
Passaram os séculos. Os mosteiros cartusianos femininos, ainda que não isentos de fraquezas, conheceram épocas de fervor e santidade. Contudo, o selo que marca nossa história é uma longa série de tribulações que desembocam na total extinção de nossas casas, tendo como causa mais profunda a Revolução Francesa (1792).
O ano 1820 assinala uma nova era: cinco monjas sobreviventes da Revolução reúnem-se e fazem ressurgir nossa vocação. Brotam as primeiras fundações em França e depois em Itália. A vida cartusiana feminina se organiza em todos esses mosteiros segundo as antigas e conhecidas tradições: uma separação formal do mundo e uma vida comum bastante intensa.
O século XX abre outros horizontes e para meados do mesmo se desenha uma nova corrente. As jovens gerações de monjas pressentem que o espírito de deserto da Cartuxa só pode viver-se plenamente se tanto a observância como as estruturas externas estão realmente de acordo com ele. Um desejo cada vez melhor definido surge num bom número de monjas; almeja-se uma vida cartusiana plena, em que a solidão ocupe um lugar semelhante ao que São Bruno e seus filhos lhe concederam desde o princípio. Lentamente se inicia uma orientação para uma solidão efetiva. As ações comunitárias se reduzem pouco a pouco e, depois de muitas sondagens e experiências, chega-se a realizar o que Bruno quis para seus colegas e o que certamente teria desejado
Sumário
Quando São Bruno se adentrou nos bosques de Chartreuse (França) no longínquo junho de 1084, não suspeitava que seria Pai de uma numerosa família de monges e inclusive de monjas. Ele e seus seis colegas, não pretendiam mais do que encontrar "um lugar a propósito para a vida eremítica onde entregar-se à contemplação do Único Bem".
Só depois da morte de Bruno (1101) começou a expansão da forma de vida que ele iniciou. Expansão que, ao princípio, revestiu características próprias. Os primeiros mosteiros de monges cartuxos se constituíram a partir de grupos monásticos já existentes que adotaram os "Costumes" ou Regra em vigor em Chartreuse. Mais tarde esses grupos se uniram e formaram juridicamente nossa Ordem (1140).
Analogamente foi, em certo sentido, a origem do ramo feminino da Cartuxa. As monjas de Prébayon (em Provenza, França), obtiveram graças ao Beato Juan de Espanha, cartuxo de Montrieux, uma cópia das "Costumes" da Cartuxa e as adotaram como Regra (em 1145). Nessa época o conceito de "Regra" era muito amplo... Ao escolher uma, podia-se adaptá-la às necessidades do próprio mosteiro, e isso é o que fizeram as monjas de Prébayon: tomaram os "Costumes cartusianas" conservando ao mesmo tempo certos usos peculiares, coisa perfeitamente legítima, já que nenhum vínculo jurídico as unia à Ordem Cartuxa. Sua filiação jurídica se realizou entre os anos 1150-1155.
Essa filiação, ao princípio, foi principalmente de ordem espiritual. O mosteiro de Prébayon, situado num lugar muito solitário, encontrou na espiritualidade cartusiana o ideal que respondia à sua estrita separação do mundo. Mas a nível de observância prática, as monjas continuaram concedendo à vida comunitária um lugar mais amplo do que o previsto nos "Costumes" para os monges.
Ao multiplicar-se os mosteiros de monjas cartuxas, a Ordem foi concedendo-lhes acesso às diversas observâncias cartusianas. Nunca, no entanto, apressou-se por estabelecer a observância fim da vocação cartusiana: a solidão estrita e pessoal. Cria-se então que o temperamento feminino não era apto para assumir dita solidão na mesma proporção que os monges, e se aceitava essa crença sem discussão.
Passaram os séculos. Os mosteiros cartusianos femininos, ainda que não isentos de fraquezas, conheceram épocas de fervor e santidade. Contudo, o selo que marca nossa história é uma longa série de tribulações que desembocam na total extinção de nossas casas, tendo como causa mais profunda a Revolução Francesa (1792).
O ano 1820 assinala uma nova era: cinco monjas sobreviventes da Revolução reúnem-se e fazem ressurgir nossa vocação. Brotam as primeiras fundações em França e depois em Itália. A vida cartusiana feminina se organiza em todos esses mosteiros segundo as antigas e conhecidas tradições: uma separação formal do mundo e uma vida comum bastante intensa.
O século XX abre outros horizontes e para meados do mesmo se desenha uma nova corrente. As jovens gerações de monjas pressentem que o espírito de deserto da Cartuxa só pode viver-se plenamente se tanto a observância como as estruturas externas estão realmente de acordo com ele. Um desejo cada vez melhor definido surge num bom número de monjas; almeja-se uma vida cartusiana plena, em que a solidão ocupe um lugar semelhante ao que São Bruno e seus filhos lhe concederam desde o princípio. Lentamente se inicia uma orientação para uma solidão efetiva. As ações comunitárias se reduzem pouco a pouco e, depois de muitas sondagens e experiências, chega-se a realizar o que Bruno quis para seus colegas e o que certamente teria desejado
sábado, 15 de outubro de 2016
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Santa Gemma Galgani : a Mística da redenção
Santa Gemma Galgani em sua breve peregrinação por esta terra deixou-nos um exemplo de sua intensa vida espiritual se oferecendo a Deus como vítima de expiação pelos pecados dos homens. No participar da paixão ela deseja ajudar Jesus nas suas dores. Se cria assim um pacto de amor em modo tal que Jesus a possa oferecer ao Pai como vítima de amor por todos os pecadores.
Foi assim favorecida por toda sorte de carismas, como os estigmas da Paixão, a coroa de espinhos, a flagelação e o suor de sangue. Teve freqüentes êxtases, espírito de profecia, discernimento dos espíritos e visões de Nosso Senhor, de sua Mãe Santíssima, de São Gabriel e da Virgem Dolorosa, e uma incrível familiaridade com o Anjo da Guarda.
Foi constantemente atacada pelo demônio, que lhe aparecia em forma humana ou de animais. Enfim, teve o matrimônio místico com Nosso Senhor Jesus Cristo e morreu como vítima expiatória pelos pecados do mundo.
“Toda a vida de Gema foi em síntese uma vida de união com Deus, de sofrimento com Jesus Cristo e de zelo ardente pela salvação das almas. No trabalho e no estudo, à mesa e nas conversas, no passeio e até no sono, Deus não se afasta um ponto de sua mente”.
A figura mística de Santa Gemma Galgani continua a fascinar pela sua única experiência espiritual que nos permitiu de conhecer a vontade de Deus. Uma experiência que ainda hoje pode aquecer o coração e iluminar a nossa mente.
De uma pureza angelical e enorme devoção a Nossa Senhora, essa jovem participou, de modo místico, de praticamente todos os atos da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. É por assim dizer, uma teóloga simples, imediata e rica de humanidade, sem o uso daquelas grandes palavras tanto queridas aos Teólogos.
Dos escritos da mística se pode perceber uma linguagem simples, pobre, que permite, apesar da extrema simplicidade, de compreender e reviver a sua singular experiência com Jesus Cristo.
Pergunta Gemma.
- Quem te matou, Jesus?
Jesus, responde
- O amor. (II 82).
O amor a que se refere Gemma não é somente uma emoção, mas um Amor doado por Cristo através da Sua palavra, e ela se deixa tanto levar como discípula de colocar-se e sentir-se como ele.
Diversas vezes perguntei a Jesus que me ensine o verdadeiro modo de amá-lo, e então Jesus parece que me faça ver as suas Santíssimas chagas abertas. (I,15). Das suas "cartas" se entende todo o seu imenso amor por Cristo, amor que raramente se pode encontrar na mesma intensidade em outros Santos.
Continua...
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Milagres do Santo Padre Pio
Alguns milagres que aconteceram pela interseção do Santo Padre Pio:
O primeiro milagre atribuído ao do Padre Pio, aconteceu em 1908. Naquela época ele morava no convento de Montefusco. Um dia ele decidiu ir a floresta para colher castanhas em uma bolsa. Ele enviou esta bolsa para sua tia Daria em Pietrelcina. Ela sempre foi muito afetuosa para com ele. A sua tia recebeu a bolsa e comeu as castanhas e depois guardou-a como lembrança. Poucos dias depois sua tia Daria estava procurando algo em uma gaveta onde o seu marido normalmente guardava pólvora. Era noite e ela estava usando uma vela quando de repente a gaveta pegou fogo. O fogo atingiu Tia Daria e num instante, ela pegou a bolsa que tinha as castanhas de Padre Pio e a pôs na sua face. Imediatamente sua dor desapareceu e não ficou nenhuma ferida ou queimadura na sua face.
Durante a Segunda Guerra Mundial, na Itália, o pão era racionado. No convento do Padre Pio havia sempre muitos convidados e pessoas pobres que iam até lá pedir comida. Um dia, os monges foram para o refeitório e perceberam que na cesta tinha aproximadamente um quilo de pão. Todos os irmãos rezaram e se sentaram antes de começar comer e o Padre Pio foi para a Igreja. Depois que um tempo que ele voltou com muitos pães nas mãos. O Superior perguntou para Padre Pio: "Onde você conseguiu os pães? " e Padre Pio respondeu: "Um peregrino à porta me deu ". Ninguém falou, mas todo o mundo concluiu que só Padre Pio poderia encontrar esse tal peregrino.
domingo, 9 de outubro de 2016
Boa Vontade
Por Santa Teresinha do Menino Jesus
Tu fazes-me pensar numa criancinha que começa a erguer-se de pé, mas que ainda não sabe caminhar. Querendo a todo o custo subir ao alto duma escada para estar com a sua mamã, levanta o pézito para subir o primeiro degrau. Mas é um esforço inútil! Cai uma e outra vez, sem chegar a avançar. Muito bem: aceita ser essa criança. Pela prática de todas as virtudes, levanta sempre o teu pézito para subires a escada da santidade. Não conseguirás subir o primeiro degrau sequer. Mas o que Deus apenas te pede é a tua boa vontade. Do alto da escada Ele olha-te com amor. Rapidamente vencido pelos teus inúteis esforços, Ele-mesmo baixará e tomando-te nos seus braços, levar-te-á para sempre para o seu reino, onde jamais te afastarás dEle. Mas se não chegares a levantar o teu pézito Ele deixar-te-á muito tempo na terra.
(Caderno Vermelho, escrito pela Irmã Maria da Trindade)
sábado, 8 de outubro de 2016
Palavras de um Monge Cartuxo
Dom Diego de Funes. “Canção real à dita da vocação cartusiana”
Feliz aquele que, sem temer mudança, o tempo e a morte sobrepuja, e da sua guerra logra a vitória. Feliz aquele que neste vale alcança a doce solidão desta Cartuxa, fora do mundo e sua pintada glória; que, posta noutra eterna a memória, começa já a gozar do que lhe espera e saboreia aqui do suspirado fruto; e ao pagar o tributo e ao pôr fim ditoso à carreira, sem temor nem receio, passa viver dum céu em outro céu”. 

Fonte: http://www.chartreux.org/pt/
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