quarta-feira, 19 de outubro de 2016

As monjas cartuxas

As monjas cartuxas


Sumário
Quando São Bruno se adentrou nos bosques de Chartreuse (França) no longínquo junho de 1084, não suspeitava que seria Pai de uma numerosa família de monges e inclusive de monjas. Ele e seus seis colegas, não pretendiam mais do que encontrar "um lugar a propósito para a vida eremítica onde entregar-se à contemplação do Único Bem".

Só depois da morte de Bruno (1101) começou a expansão da forma de vida que ele iniciou. Expansão que, ao princípio, revestiu características próprias. Os primeiros mosteiros de monges cartuxos se constituíram a partir de grupos monásticos já existentes que adotaram os "Costumes" ou Regra em vigor em Chartreuse. Mais tarde esses grupos se uniram e formaram juridicamente nossa Ordem (1140).

Analogamente foi, em certo sentido, a origem do ramo feminino da Cartuxa. As monjas de Prébayon (em Provenza, França), obtiveram graças ao Beato Juan de Espanha, cartuxo de Montrieux, uma cópia das "Costumes" da Cartuxa e as adotaram como Regra (em 1145). Nessa época o conceito de "Regra" era muito amplo... Ao escolher uma, podia-se adaptá-la às necessidades do próprio mosteiro, e isso é o que fizeram as monjas de Prébayon: tomaram os "Costumes cartusianas" conservando ao mesmo tempo certos usos peculiares, coisa perfeitamente legítima, já que nenhum vínculo jurídico as unia à Ordem Cartuxa. Sua filiação jurídica se realizou entre os anos 1150-1155.

Essa filiação, ao princípio, foi principalmente de ordem espiritual. O mosteiro de Prébayon, situado num lugar muito solitário, encontrou na espiritualidade cartusiana o ideal que respondia à sua estrita separação do mundo. Mas a nível de observância prática, as monjas continuaram concedendo à vida comunitária um lugar mais amplo do que o previsto nos "Costumes" para os monges.

Ao multiplicar-se os mosteiros de monjas cartuxas, a Ordem foi concedendo-lhes acesso às diversas observâncias cartusianas. Nunca, no entanto, apressou-se por estabelecer a observância fim da vocação cartusiana: a solidão estrita e pessoal. Cria-se então que o temperamento feminino não era apto para assumir dita solidão na mesma proporção que os monges, e se aceitava essa crença sem discussão.

Passaram os séculos. Os mosteiros cartusianos femininos, ainda que não isentos de fraquezas, conheceram épocas de fervor e santidade. Contudo, o selo que marca nossa história é uma longa série de tribulações que desembocam na total extinção de nossas casas, tendo como causa mais profunda a Revolução Francesa (1792).

O ano 1820 assinala uma nova era: cinco monjas sobreviventes da Revolução reúnem-se e fazem ressurgir nossa vocação. Brotam as primeiras fundações em França e depois em Itália. A vida cartusiana feminina se organiza em todos esses mosteiros segundo as antigas e conhecidas tradições: uma separação formal do mundo e uma vida comum bastante intensa.

O século XX abre outros horizontes e para meados do mesmo se desenha uma nova corrente. As jovens gerações de monjas pressentem que o espírito de deserto da Cartuxa só pode viver-se plenamente se tanto a observância como as estruturas externas estão realmente de acordo com ele. Um desejo cada vez melhor definido surge num bom número de monjas; almeja-se uma vida cartusiana plena, em que a solidão ocupe um lugar semelhante ao que São Bruno e seus filhos lhe concederam desde o princípio. Lentamente se inicia uma orientação para uma solidão efetiva. As ações comunitárias se reduzem pouco a pouco e, depois de muitas sondagens e experiências, chega-se a realizar o que Bruno quis para seus colegas e o que certamente teria desejado

Nenhum comentário:

Postar um comentário