quinta-feira, 6 de agosto de 2020

A REGRA DO JEJUM

A Regra do Jejum – São Teófano, o Recluso


O jejum consiste em permanecer com Deus no pensamento e no coração abandonando todo o resto e recusando qualquer busca de si mesmo, tanto no espiritual como no material.
Devemos fazê-lo inteiramente para a glória de Deus e o bem do próximo, levando, voluntariamente e com amor, o jejum, as privações do sono e do descanso e negando-nos a satisfação que a companhia dos outros nos proporciona. Tais privações devem ser feitas com moderação, pois não se deve chamar a atenção nem nos debilitarmos a ponto de sermos incapazes de cumprir nossa oração.
 
Tradução: Gilmar Saint’ Clair Ribeiro
Texto retirado do livro Os Sentidos da Alma (Ed. Loyola, 1998).

domingo, 2 de agosto de 2020

18º Domingo Comum- Jesus, o Pão que sacia a nossa fome

O milagre da multiplicação dos pães | ORAÇÃO E REFLEXÃO

EVANGELHO – Mt 14,13-21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto,
retirou-Se num barco para um local deserto e afastado.
Mas logo que as multidões o souberam,
deixando as suas cidades, seguiram-n’O a pé.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão
e, cheio de compaixão, curou os seus doentes.
Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus
e disseram-Lhe:
“Este local é deserto e a hora avançada.
Manda embora toda esta gente,
para que vá às aldeias comprar alimento”.
Mas Jesus respondeu-lhes:
“Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”.
Disseram-Lhe eles:
“Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”.
Disse Jesus: “Trazei-mos cá”.
Ordenou então à multidão que se sentasse na relva.
Tomou os cinco pães e os dois peixes,
ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção.
Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos
e os discípulos deram-nos à multidão.
Todos comeram e ficaram saciados.
E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos.
Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens,
sem contar mulheres e crianças.

Folhetos da Missa do 18º Domingo do Tempo Comum 2020 - 02/08/2020 ...

No capítulo 13 do Evangelho segundo Mateus, começa uma longa secção que poderíamos intitular “instrução sobre o Reino” (cf. Mt 13,1-17,27).
Na primeira parte desta secção (cf. Mt 13,1-52), Jesus apresentou em parábolas a realidade do Reino (como vimos, aliás, nos domingos anteriores). Como é que os interlocutores de Jesus reagiram, frente a essa apresentação viva, popular, interpeladora, questionante? Aderiram à proposta de Jesus?
A resposta a esta questão vai ser dada na segunda secção da “instrução sobre o Reino” (cf. Mt 13,53-17,27). De uma forma geral, a comunidade judaica responde negativamente ao desafio apresentado por Jesus. Quer os nazarenos (cf. Mt 13,53-58), quer Herodes (cf. Mt 14,1-12), quer os escribas, quer os fariseus, quer os saduceus (cf. Mt 15,1-9; 16,1-4. 5-12) recusam embarcar na aventura do Reino. Diante dessa recusa, Jesus volta-Se, cada vez mais decisivamente, para o pequeno grupo dos seus seguidores – os discípulos. Esse pequeno grupo vai-se definindo cada vez mais como a comunidade do Messias, que acolhe as propostas de Jesus e aceita o Reino. As multidões continuam a seguir Jesus; mas, cada vez mais, é aos discípulos que Jesus Se dirige e a quem destina a sua “instrução”.
O texto que nos é proposto neste domingo situa-nos no âmbito de uma refeição. O “banquete” é, para os semitas, o momento do encontro, da fraternidade, em que os convivas estabelecem entre si laços de familiaridade e de comunhão. É, portanto, símbolo desse mundo novo que há-de vir e no qual todos os homens se sentarão à mesa de Deus para celebrar a fraternidade, a igualdade e a felicidade sem fim. Torna-se, pois, um símbolo privilegiado desse Reino para o qual Jesus veio convidar os homens.

MENSAGEM

18º - Domingo do Tempo Comum - Homilia Pe Wagner Portugal

Na introdução ao episódio de hoje, Mateus anota que Jesus se retirou para o deserto, seguido por uma “grande multidão”; e que, impressionado pela fome de vida de toda essa gente, Se encheu “de compaixão e curou os seus doentes” (vers. 13-14).
Provavelmente, Mateus quer sugerir, com esta referência, que Jesus é um novo Moisés, cuja missão é libertar o seu Povo da escravidão, a fim de conduzi-lo à terra da liberdade e da vida plena. Como é que vai fazê-lo? Conduzindo-o ao deserto…
O deserto é, para Israel, o tempo e o espaço do encontro com Deus; aí, Israel aprendeu a despir-se das suas seguranças humanas, das suas certezas, da sua auto-suficiência, para descobrir que cada passo em direcção à liberdade, cada pedaço de pão caído do céu, cada gota de água que brota de um rochedo, é um “milagre” que é preciso agradecer ao amor de Deus. Tudo é um dom de Deus, que o Povo deve acolher com o coração agradecido. O deserto é ainda o lugar e o tempo da partilha, da igualdade, em que cada membro do Povo conta com a solidariedade do resto da comunidade, onde não há egoísmo, injustiça, prepotência, açambarcamento dos bens que pertencem a todos, e em que todos dão as mãos para superar as dificuldades da caminhada (no deserto, quem é egoísta, auto-suficiente e não aceita contar com os outros, está condenado à morte).
É esta experiência que Jesus vai convidar os discípulos a fazer. Vai ensinar-lhes – com uma lição concreta – que tudo é um dom que deve ser agradecido ao amor de Deus; e vai ensinar-lhes também que os dons de Deus são para ser partilhados, colocados ao serviço dos irmãos. É deste processo libertador – que conduz do egoísmo ao amor – que vai nascer a comunidade do Reino.
A história da multiplicação dos pães apresenta todas as características de uma lição, destinada a demonstrar como é que deve viver quem quer aderir ao Reino.
O primeiro momento desse processo pedagógico destinado a formar os membros do Reino tem a ver com a constatação da fome do mundo e com a responsabilização da comunidade do Reino nesse problema&hell
ip; Quando os discípulos Lhe pedem que mande a multidão embora, para que ela encontre comida (lavando as mãos face à situação de necessidade em que a multidão está), Jesus pede-lhes: “dai-lhes vós de comer” (vers. 16). Ensina-lhes, dessa forma, que têm uma responsabilidade inalienável face a esse desafio que o mundo dos pobres todos os dias grita… Depois disto, nunca um discípulo de Jesus poderá dizer que não tem nada a ver com a fome, com a miséria, com as necessidades dos mais desfavorecidos. Qualquer irmão necessitado – de pão, de alegria, de apoio, de esperança – é da responsabilidade dos discípulos de Jesus. A dinâmica do Reino passa pela solidariedade que torna todos os cristãos responsáveis pelas necessidades dos pobres.
No segundo momento deste processo pedagógico, Jesus ensina como dar resposta a este desafio. Começa por pedir aos discípulos que façam a listagem dos bens disponíveis; depois, toma os “cinco pães e dois peixes”, recita a bênção e manda repartir por todos os presentes… E todos comeram até ficarem saciados.
A lição é clara: diante do apelo dos pobres, a comunidade do Reino tem de aprender a partilhar. “Cinco pães e dois peixes” significam totalidade (“sete”): é na partilha da totalidade do que se tem que se responde à carência dos irmãos. É uma totalidade fraccionada e diversificada mas que, posta ao serviço dos irmãos, sacia a fome do mundo. A comunidade do Reino é, portanto, não só uma comunidade que se sente responsável pela fome dos irmãos, mas também uma comunidade de coração aberto, disposta a repartir tudo o que tem… É uma comunidade que venceu a escravidão do egoísmo, para fazer a experiência da partilha que sacia e que torna todos os homens irmãos.
No terceiro momento deste processo pedagógico, Jesus dá a razão para a partilha. “Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu e recitou a bênção” (vers. 19). A “bênção” é uma fórmula de acção de graças, na qual se agradece a Deus pelos seus dons. Isso significa, em concreto, reconhecer que algo que se possui é um dom recebido de Deus… Para quem? Para um único homem ou para uma única família? Mas Deus não é o Pai de todos, que se preocupa com todos e que a todos ama da mesma forma? Portanto, “pronunciar a bênção” é reconhecer que determinado dom veio de Deus e que pertence a todos os filhos de Deus. Aquele que recebeu esse dom não é o seu dono; mas é apenas um administrador a quem Deus confiou determinado dom, para que o pusesse ao serviço dos irmãos com a mesma gratuidade com que o recebeu. À comunidade do Reino é proposto que aprenda a considerar os bens postos à sua disposição como dons de Deus Pai, colocando-os livremente ao serviço de todos.
Jesus é aqui apresentado como o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo e oferecer-lhe a vida em abundância. Como é que Ele o faz? Criando a comunidade do Reino – isto é, uma comunidade de homens novos, que reconhecem que tudo o que têm é um dom de Deus, destinado a ser partilhado com os outros irmãos.

ATULIZAÇÃO

2 de agosto - Missa do 18° Domingo do Tempo Comum 2020 | Portal Kairós

Na reflexão, ter em conta os seguintes aspectos:

• Antes de mais, o texto convida-nos a reflectir sobre a preocupação de Deus em oferecer a todos os homens a vida em abundância. Ele convida todos os homens para o “banquete” do Reino… Aos desclassificados e proscritos que vivem à margem da vida e da história, aos que têm fome de amor e de justiça, aos que vivem atolados no desespero, aos que têm permanentemente os olhos toldados por lágrimas de tristeza, aos que o mundo condena e marginaliza, aos que não têm pão na mesa nem paz no coração, Deus diz: “quero oferecer-te essa plenitude de vida que os homens teus irmãos te negam. Tu também estás convidado para a mesa do Reino”.

• A nossa responsabilidade de seguidores de Jesus compromete-nos com a “fome” do mundo. Nenhum cristão pode dizer que não tem culpa pelo facto de 80 por cento da humanidade ser obrigada a viver com 20 por cento dos recursos disponíveis… Nenhum cristão pode “lavar as mãos” quando se gastam em armas e extravagâncias recursos que deviam estar ao serviço da saúde, da educação, da habitação, da construção de redes de saneamento básico… Nenhum cristão pode dormir tranquilo quando tantos homens e mulheres, depois de uma vida de trabalho, recebem pensões miseráveis que mal dão para pagar os medicamentos, enquanto se gastam quantias exorbitantes em obras de fachada que só servem para satisfazer o ego dos donos do mundo… Nós temos responsabilidades na forma como o mundo se constrói… Que podemos fazer para que o nosso mundo seja alicerçado sobre outros valores?

• É preciso criarmos a consciência de que os bens criados por Deus pertencem a todos os homens e não a um grupo restrito de privilegiados. O Vaticano II afirma: “Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os povos; de modo que os bens criados devem chegar equitativamente às mãos de todos (…). Sejam quais forem as formas de propriedade, conforme as legítimas instituições dos povos e segundo as diferentes e mutáveis circunstâncias, deve-se sempre atender a este destino universal dos bens. Por esta razão, quem usa desses bens temporais, não deve considerar as coisas exteriores que legitimamente possui só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si, mas também os outros. De resto, todos têm o direito de ter uma parte de bens suficientes para si e suas famílias” (Gaudium et Spes, 69). Como me situo face aos bens? Vejo os bens que Deus me concedeu como “meus, muito meus e só meus”, ou como dons que Deus depositou nas minhas mãos para eu administrar e partilhar, mas que pertencem a todos os homens?

• O problema da fome no mundo não se resolve recorrendo a programas de assistência social, de “rendimento mínimo garantido” ou de outros esquemas de “caridadezinha”; mas resolve-se recorrendo a uma verdadeira revolução das mentalidades, que leve os homens a interiorizar a lógica de partilha. Os bens que Deus colocou à disposição dos seus filhos não podem ser açambarcados por alguns; pertencem a todos os homens e devem ser postos ao serviço de todos. É preciso quebrar a lógica do capitalismo, a lógica egoísta do lucro (mesmo quando ela reparte alguns trocos pelos miseráveis para aliviar a consciência dos exploradores), e substitui-la pela lógica do dom, da partilha, do amor. Sem isto, nenhuma mudança social criará, de verdade, um mundo mais justo e mais fraterno.

• A narração que hoje nos é proposta tem um inegável contexto eucarístico (as palavras “ergueu os olhos ao céu e recitou a bênção, partiu os pães e deu-os aos discípulos” levam-nos à fórmula que usamos sempre que celebramos a Eucaristia). Na verdade, sentar-se à mesa com Jesus e receber o pão que Ele oferece (Eucaristia) é comprometer-se com a dinâmica do Reino e é assumir a lógica da partilha, do amor, do serviço. Celebrar a Eucaristia obriga-nos a lutar contra as desigualdades, os sistemas de exploração, os esquemas de açambarcamento dos bens, os esbanjamentos, a procura de bens supérfluos… Quando celebramos a Eucaristia e nos comprometemos com uma lógica de partilha e de dom, estamos a tornar Jesus presente no mundo e a fazer com que o Reino seja uma realidade viva na história dos homens.Celebrar em família: baixe o roteiro para o 18º Domingo do Tempo ...

Os 12 Degraus do Silêncio- por Irmã Maria Amada de Jesus

A vida interior poderia consistir apenas nessa palavra: SILÊNCIO! O silêncio prepara a santidade, começa-a, continua-a e a aperfeiçoa. Deus, que é eterno, não diz mais que uma só palavra: o Verbo. De maneira semelhante seria desejável que todas as nossas palavras expressassem direta ou indiretamente essa única palavra: JESUS!

São Bruno - Catedral de Palmas Catedral Divino Espírito Santo
Esta palavra, “silêncio”, é belíssima! Podemos traduzi-la em doze graus:

1º – FALAR POUCO COM AS CRIATURAS E MUITO COM DEUS

É o primeiro passo, mas indispensável no caminho solitário do silêncio, para unir-se a Deus. É o silêncio em relação ao mundo, aos acontecimentos cotidianos.

2º – O SILÊNCIO NO TRABALHO E NOS MOVIMENTOS

Silêncio em nossas atitudes cotidianas e em todos os nossos sentidos, para percebermos mais claramente a voz de Deus. Afastar-se do ruído e tudo o que poderia distrair- nos. O Senhor nos chama ao deserto. Lá, ele falará ao nosso coração (Oseias).

O Céu Começa Em Você - 1ª Parte | Padres do Deserto
3º – O SILÊNCIO DA IMAGINAÇÃO

Substituir as perturbações, tristezas, impressões, pela imagem do céu, do Senhor, da paixão de Cristo, das perfeições de Deus.

4º – O SILÊNCIO DA MEMÓRIA

Deixar de lado o passado e preencher a memória com a lembrança da misericórdia de Deus.

5º – O SILÊNCIO EM RELAÇÃO ÀS CRIATURAS

Saber retirar-se e ficar a sós com Deus, para conhecer seus segredos e a felicidade futura que nos espera. Deus nos infundirá um amargo desgosto pelo pecado e tudo o que possa nos separar dele.
TIPOS DE EREMITAS- RESUMO

6 – O SILÊNCIO DO CORAÇÃO.

Se se fizer silêncio em todos os aspectos que já vimos, ou seja, da língua, dos sentidos, da imaginação, da memória, nós saberemos criar a solidão, se não ao nosso redor, pelo menos no coração. Silenciar, no coração, tudo o que vem simbolicamente dele: os afetos, antipatias, desejos muito ardentes, dos ciúmes, do fervor exagerado, dos suspiros, enfim, em tudo o que for exagerado.

Um coração em silêncio é um coração puro, uma melodia para o coração de Deus. A lamparina se consome sem ruído diante do sacrário e o incenso sobe em silêncio até o trono do salvador. Eis o silêncio do amor!

7º – O SILÊNCIO DA PRÓPRIA NATUREZA E DO AMOR PRÓPRIO

É o silêncio tanto diante do elogio como diante do desprezo, calunias, murmurações que se fazem a nosso respeito, assim como nas alegrias e nos prazeres, nos trabalhos, no frio, no calor, na saúde, na enfermidade. É o silêncio do “eu” humano que passa ao querer divino.
Eremitas modernos: Respondendo ao Chamado à Solidão
8º – SILÊNCIO DA MENTE

Fazer calar os pensamentos inúteis, os pensamentos naturalmente agradáveis, pois são esses que prejudicam o silêncio da mente.

9º – SILÊNCIO DO JUÍZO: NUNCA JULGAR!

10º SILÊNCIO DA VONTADE

Seguir em tudo a vontade de Deus, sem nunca perguntar: “Por quê?” Ou “Até quando?” É o silêncio do abandono. O divino silêncio de Jesus em sua agonia.

11º – SILÊNCIO CONSIGO MESMO

Esquecer-se, fugir de si mesmo. É o silêncio do nada. É mais heroico que o silêncio da morte.
Silêncio e Contemplação « ASSOCIAÇÃO THOMAS MERTON

12º – SILÊNCIO COM DEUS

É aderir-se a Deus, apresentar-se, expor-se diante dele, oferecer-se a Ele, adorá-lo, amá-lo, escutá-lo, ouvi-lo, repousar nele. É o silêncio da eternidade, da união da alma com Deus.